Em uma entrevista recente, o renomado cantor Phil Collins abriu o coração sobre o período mais crítico de sua batalha contra o consumo excessivo de álcool. O artista relembrou que a situação chegou a um ponto alarmante, fazendo com que sua filha, a atriz Lily Collins, chorasse ao temer sua morte iminente.
Internação na Suíça e risco de vida
Há cerca de dois anos, o cantor enfrentou complicações graves de saúde e precisou ser hospitalizado na Suíça, onde ficou sob suporte de vida. A gravidade do quadro exigiu que seus cinco herdeiros viajassem para o exterior a fim de participarem de decisões médicas cruciais sobre o tratamento do pai.
“Fui internado algumas vezes por pancreatite por causa da bebida. Mas, até aquele momento da minha vida, eu nunca tinha ficado no hospital e, de repente, estava vivendo no hospital. E foi literalmente um momento de sobriedade”, afirmou o músico.
“Passei todo aquele tempo no hospital e não consigo me lembrar de muita coisa. Lembro de algumas coisas. Tony Smith, meu empresário, reuniu meus cinco filhos na Suíça para conversar com eles sobre os detalhes, porque, em determinado momento, a situação não parecia nada boa”, contou.
“Eu estava em uma máquina de diálise e, de certa forma, as coisas estavam simplesmente parando de funcionar. E a decisão era se eu deveria continuar na máquina de diálise. E, claro, agora os filhos encaram cada visita como um bônus”, acrescentou.
A dinâmica do vício e a aposentadoria
O intérprete de “You’ll Be in My Heart” esclareceu que seu padrão de consumo diferia do estereótipo associado ao alcoolismo. Segundo ele, a bebida nunca interferiu em sua rotina profissional, mas passou a ser utilizada como um mecanismo para lidar com questões pessoais após sua saída dos palcos.
“Essa questão da bebida, eu gostaria de esclarecer para que as pessoas entendam o que estava acontecendo comigo. Algumas pessoas acordam e bebem, ou simplesmente bebem quando chegam do trabalho. Elas bebem, ficam acordadas, continuam bebendo, ficam completamente bêbadas, caem e passam mal. É como a caricatura habitual de um alcoólatra. Eu não era assim. Nunca bebia enquanto estava trabalhando porque não consigo cantar. Preciso estar concentrado”, explicou.
“Quando me aposentei, pensei: ‘Bem, vou fazer todas as coisas que não pude fazer. Se quiser assistir ao críquete durante o dia, vou assistir. Se quiser tomar uma taça de vinho, vou tomar uma taça de vinho’. Mas, claro, você começa a fazer isso um pouco mais cedo. Eu nunca bebia depois das 18h, então não era o que eu chamaria de bêbado”, admitiu.
“Eu estava vivendo sozinho. Quer dizer, quando ainda era casado, comecei a beber e isso aconteceu porque havia outros problemas que foram ficando evidentes com o passar do tempo, nada relacionado à bebida, mas eu estava começando a beber. Mas consigo imaginar as pessoas se perguntando: ‘Quando o vi em tal lugar, será que ele estava bêbado?’. Mas eu nunca bebia quando estava trabalhando. Certo? Porque não conseguia. Não conseguia fazer isso”, refletiu.
O impacto emocional sobre Lily Collins
A dependência química também gerou momentos de forte tensão familiar. Durante as festividades de fim de ano, a atriz famosa por seu papel em “Emily em Paris” desabou em lágrimas ao recordar o pavor de perder o pai e o fato de ele poder não conviver com a neta.
“Foi emocionante, isso era óbvio. Foi maravilhoso ouvir as histórias deles sobre como temiam que nunca mais me vissem. E Lily, por exemplo, simplesmente caiu no choro, porque agora tem uma filha [Tove Jane McDowell, fruto do relacionamento com Charlie McDowell] e disse: ‘Eu nunca pensei que minha filha conheceria o avô’… Foi muito tocante, muito emocionante”, declarou.
A carta aberta e o passado familiar
Durante a conversa, o artista também comentou sobre a carta pública escrita por Lily em seu livro de memórias lançado em 2017, no qual a atriz abordava as ausências do pai durante sua infância após a separação dos pais na década de 1990.
“Eu só li uma vez. Acontece que, e isso veio à tona desde o Ano Novo passado, ela gostaria de não ter escrito aquilo porque achou que foi doloroso. Não estou dizendo que não foi doloroso. Eu sei o que fiz ou o que não deveria ter feito. Tratei a mãe dela mal. [Mas] sempre tentei estar presente para ela”, ponderou o cantor.
“Sempre que, desde os cinco ou seis anos, eu saía de casa para viajar, tentei estar presente para ela. Mas, claro, eu não estava no controle do meu próprio destino, essa era uma das questões. Não quero parecer que estou evitando o assunto, mas, por exemplo, quando meu primeiro casamento terminou, foi porque eu não estava presente”, refletiu.
“Sim. Eu fui embora e nós nos afastamos… Então entendo o que Lily quis dizer naquela carta aberta”, concluiu ao falar sobre os reflexos de suas escolhas pessoais ao longo das décadas.








