A Cia Kà de Teatro promove neste final de semana o retorno aos palcos da capital paranaense da produção dedicada à trajetória de uma das maiores artistas locais. A montagem tem entrada franca e passará por diferentes espaços culturais da cidade ao longo de suas exibições.
Homenagem viva à pioneira das artes cênicas Após um hiato de quatro anos desde a primeira montagem, a iniciativa busca manter viva a memória da icônica cantora e atriz. “Eu quero lembrar o Paraná inteiro que a Odelair está viva, que ela existe e eu não quero deixar ela apagada. O que eu puder fazer enquanto eu respirar e se eu tiver a oportunidade eu vou trazer ela sempre em pauta”, diz o diretor Kelvin Millarch.
O lado boêmio e cotidiano da artista Nesta nova versão, a dramaturgia foca na rotina da personalidade longe dos grandes palcos, destacando seus momentos de descontração em botecos tradicionais curitibanos, onde jogava cartas e se reunia com amigos. “Tem bastante registro dela dentro do bar cantando música, ela com uma câmera filmando os amigos dentro do bar, ela jogando baralho bebendo a cervejinha dela. Então foi o que eu pensam, trazer algo mais humano dela”, conta Millarch.
Identidade e conexão no palco Dividida em cinco atos intercalados por intervenções musicais com a trilha sonora do instrumentista Jean Gabriel, a obra é protagonizada pela atriz Taciane Vieira. A escolha buscou paralelos reais entre a vida da intérprete e da biografada, unindo duas mulheres negras, artistas e boêmias. “A gente se mistura bastante no quesito mulher, negra, atriz. Ela também era cantora, então nessa parte a gente pode se confundir ali. Não vai ser uma imitação, vai ser uma homenagem para Odelair, mas eu estou bebendo de tudo o que ela deixou”, explica a artista.
Legado de resistência e alegria A trajetória da homenageada teve início precoce aos sete anos de idade na escola, passando pelo Teatro Experimental do Colégio Estadual do Paraná e pelo Teatro de Bolso, consolidando-se como referência nacional também ao emprestar sua voz marcante para campanhas publicitárias do Café Damasco. Ao refletir sobre a essência de sua personagem, a protagonista resume o espírito da montagem: “Ser feliz acima de tudo. Encontrar brechas para ser feliz porque a vida não é só dor. Nós pessoas pretas, pardas a gente não é só dor. A gente também pode ser muito feliz e encontrar essas brechas por mais que todo mundo esteja te apedrejando e querendo o seu couro você está ali mostrando que, meu bem, eu sou feliz. E eu acho que isso é a melhor coisa que a gente pode fazer”, finaliza Taciane Vieira que interpreta Odelair.
Serviço e programação As exibições ocorrem no Espaço Fantástico das Artes (Rua Trajano Reis, 41) neste sábado (3), às 21h, e no domingo (4), às 20h. A última sessão será realizada no Teatro Londrina, no Memorial de Curitiba (Rua Dr. Claudino dos Santos, 79), no domingo seguinte (11), às 20h, com viabilização da Prefeitura e da Fundação Cultural de Curitiba.








