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Eleição do Corinthians pode não ocorrer e abre brecha para intervenção

Ações judiciais, questionamentos sobre regras e impasses políticos ameaçam a realização do pleito presidencial marcado para novembro.

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Romeu Tuma Jr. diz que eleição do Corinthians pode não acontecer e admite chance de intervenção

O comando do Conselho Deliberativo do Corinthians acendeu um alerta vermelho nos bastidores políticos da instituição ao admitir publicamente a possibilidade concreta de que o pleito presidencial, agendado para o dia 28 de novembro, acabe não sendo realizado. A projeção ganha força diante de um cenário repleto de contestações jurídicas e de eventuais decisões da Justiça que colocam em xeque a validade das regras atuais estabelecidas para a votação.

O cenário de instabilidade no clube Durante uma entrevista coletiva concedida à imprensa, o presidente do órgão deliberativo, Romeu Tuma Júnior, detalhou o panorama crítico que o clube paulista atravessa atualmente, mencionando que diversas frentes judiciais correm simultaneamente e ameaçam a estabilidade institucional alvinegra.

— Sim (corre o risco de não acontecer a eleição). Tem muita situação correndo. Por isso, falei que, no papel do Osmar (Stabile), eu faria um gesto para o Ministério Público. Tentaria na Justiça, porque você é o papel institucional de quem manda, de quem é o presidente.

— Isso não cabe a mim. Vão falar que o Tuma está se metendo, mas não é coisa dele. No dia daquela confusão no Conselho, quando ia ter a votação do estatuto, ele foi me acusar de que eu o ameacei. Mas, na prática, o que ele falou? “O Tuma, todo dia, manda um requerimento, um monte de perguntas”. Não sou eu. São os conselheiros.

A proposta de acordo com o Ministério Público Diante do impasse jurídico, a sugestão apontada pelo dirigente envolve a busca por um entendimento direto com as autoridades competentes para solucionar as pendências legais que cercam a administração da equipe.

— Põe todo mundo e fala (para o Ministério Público): “Para onde o senhor quer que o senhor quer que eu vá? Vamos construir juntos esse caminho aqui e daqui a três meses eu entrego o cargo”. Eu acho que esse era o momento de falar: vamos passar a régua aqui e tal, vota o estatuto, se compromete com as coisas que aqueles sérios que querem intervenção porque não acreditam mais no sistema e nos poderes internos.

A atuação dos promotores de justiça O inquérito cível que investiga a viabilidade de uma intervenção judicial na instituição esportiva é conduzido pelos promotores Luiz Ambra Neto e André Pascoal, ambos vinculados ao Ministério Público do Estado de São Paulo.

— Não sei (quem seria o responsável pelo clube caso a eleição não aconteça), depende do alcance da intervenção. Pode ser um interventor geral, que vai intervir no clube e no Conselho. Difícil uma intervenção que abranja todos os órgãos, porque, como é uma associação, o interventor pode eventualmente ter poderes para paralisar qualquer deliberação.

— É óbvio que, se houver uma intervenção, algumas deliberações vão ficar paralisadas. Mas acho que vai haver intervenção quando o Conselho extingue o Conselho. Quem elege o Conselho são os associados. Se houver intervenção, porém, todas as ações serão pautadas pelos poderes estabelecidos para o interventor.

Reforma estatutária e questionamentos eleitorais Outro fator que pesa sobre a crise política é a recente suspensão da votação voltada à reforma do estatuto do clube, travada após nova liminar impetrada por conselheiros vitalícios. Para a presidência do Conselho, essa atmosfera de conflito institucional acaba facilitando o entendimento dos órgãos fiscalizadores sobre a necessidade de uma medida drástica na administração.

— Com certeza, o estado de coisas hoje facilita muito. Qual é o âmago da discussão da reforma? Quem entrou com o pedido de intervenção: o Cássio Conserino, foram apontados vários aspectos, alguns reais e outros que não eram verdadeiros. Com o tempo, porém, alguns foram se tornando verdadeiros, foram acontecendo.

— Hoje, no Corinthians, existe uma cobrança muito grande por causa dos meus atos como presidente do Conselho. Primeiro, isso demonstra claramente que eu estou certo: a gente tem agido corretamente. Eu não fiz nada que desabonasse minha conduta. Só fiz coisas para criar controle e efetividade no que manda o Estatuto e propus mudanças no Estatuto. Então, que mal eu fiz para o Corinthians? Acho que nenhum. Tanto que, se a gente tivesse avançado nas coisas que estávamos procurando, não estaríamos na situação em que estamos hoje, creio eu.

Além das discussões sobre o estatuto, um associado ajuizou uma ação na Justiça contestando diretrizes impostas pela Comissão Eleitoral, apontando o que classificou como ilegalidades e abusividades no processo. O documento questiona a cobrança de taxas financeiras para candidatos e chapas — valores que chegam a três mensalidades do título familiar (R$ 330 por candidato) e 25 mensalidades do título individual (R$ 241) —, além de criticar a obrigatoriedade do cadastramento de reconhecimento facial para os sócios estarem aptos a votar até sete dias antes do pleito, exigência que estaria em desacordo com os requisitos básicos previstos no estatuto da entidade.

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