Pesquisadores transformaram um quarto de motel de US$ 80 na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, em um centro de investigações improvisado. O experimento inusitado resultou na identificação de duas novas espécies de Paulinella, um microrganismo unicelular raro que intriga a comunidade científica global.
Improvisação e tecnologia em motel
Na primavera de 2025, a bióloga evolucionista Julia Van Etten montou microscópios e recipientes com água salobra e vegetação de pântano sobre as mesas de cabeceira do local. Ela contou com a ajuda do biólogo Andrew Willoughby e do cientista John Burns, que levou ferramentas nada convencionais para a viagem.
Para isolar os exemplares da Paulinella, Burns utilizou um lápis adaptado com cerdas de escova de dentes e uma pipeta de boca. Ao observar a técnica, o colega expressou surpresa com o método artesanal.
“Isso é biologia que eu não faço”, disse Willoughby ao observar o procedimento.
Sequenciamento de DNA e novas espécies
Durante a análise dos organismos coletados no motel, a equipe notou diferenças sutis no padrão das escamas dos exemplares. O material foi submetido a microscopia eletrônica de alta resolução e o DNA foi enviado para pesquisadores na Coreia do Sul liderados por Hwan Su Yoon.
O sequenciamento genético confirmou a existência de duas linhagens até então desconhecidas pela ciência. Com essa identificação, o grupo de espécies fotossintéticas do gênero saltou para seis variedades conhecidas.
Importância para a evolução
O grande interesse por esses microrganismos reside na presença de um cromatóforo, uma estrutura derivada de bactérias que realiza fotossíntese e mantém DNA próprio. Esse fenômeno biológico serve como modelo recente para entender como a vida na Terra se tornou complexa.
Há bilhões de anos, eventos semelhantes deram origem aos plastídios das plantas atuais. O estudo dessas criaturas microscópicas permite observar detalhes que normalmente se perdem ao longo das eras geológicas.
“Isso pode nos ensinar muito”, afirmou Sergio Muñoz-Gómez, biólogo evolucionista da Universidade Purdue.
Com os resultados promissores obtidos no quarto de hotel, os pesquisadores já planejam novas etapas e contam com o apoio de cientistas cidadãos para encontrar outras espécies do organismo.








