–:–:–
Conecte-se conosco

Setembro verde: idosos também podem ser doadores vivos de órgãos

História emocionante de pai que salvou o filho revela que a idade avançada não é impeditivo para transplantes entre vivos.

35 visualizações
Setembro Verde: idosos também podem ser doadores vivos de órgãos

O mês de conscientização sobre a doação de órgãos traz à tona histórias inspiradoras que desafiam mitos, como a possibilidade de idosos realizarem transplantes em vida. Uma comprovação disso aconteceu quando Arivaldo Sampaio, aos 69 anos, descobriu total compatibilidade para salvar a vida de seu filho, que havia perdido a função do único rim após sessões intensas de hemodiálise.

Regras e tipos de doação entre vivos

Segundo diretrizes governamentais, quem está vivo pode ceder um dos rins, parte do fígado, da medula óssea ou dos pulmões, desde que haja compatibilidade sanguínea. A legislação nacional permite que parentes de até o quarto grau e cônjuges realizem o procedimento sem exigência de autorização da justiça. Já para indivíduos sem grau de parentesco, o processo exige liberação judicial prévia.

O cenário nacional de transplantes registrou marcas importantes recentemente. No ano de 2025, o país contabilizou 4.335 doadores efetivos, alcançando uma proporção de 20,3 por milhão de habitantes, o patamar mais elevado da série histórica. Apesar do avanço, o Sistema Nacional de Transplantes aponta que quase 50 mil brasileiros ainda permanecem na lista de espera.

Critérios médicos para doadores idosos

A etapa de triagem para quem decide doar em vida exige rigor técnico para preservar a integridade física de ambas as partes envolvidas. Especialistas destacam que a idade avançada isoladamente não representa um veto definitivo, mas demanda investigações profundas sobre o histórico clínico e comorbidades anteriores do voluntário.

Arivaldo relatou a angústia que sentiu antes de saber o resultado dos exames clínicos. “Me perguntava como estará esse rim. Funcionalmente ele estará bem? Pode mesmo ser doado? Fizemos todos os exames e, graças a Deus, fui considerado apto.”

O nefrologista Geraldo Freitas, que atua na Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília (HUB), detalhou que a análise se torna ainda mais minuciosa quando o voluntário ultrapassa os 60 anos, avaliando riscos futuros pela remoção do órgão.

Avaliação rigorosa e qualidade de vida

O processo de triagem para pacientes seniores engloba exames de sangue, análises de urina, checagem da função renal, testes de imagem e exames cardiovasculares completos. O especialista pontua que o avanço da idade eleva a incidência de problemas como diabetes, hipertensão e complicações cardiovasculares.

O médico reforça que o veredito final vai muito além de métricas frias, considerando o estado geral de saúde, a perspectiva de vida com apenas um rim e a aceitação dos riscos cirúrgicos. O sucesso do procedimento de Arivaldo resultou em uma recuperação rápida, com o receptor recebendo um órgão plenamente funcional de forma imediata.

Atualmente, três anos após o procedimento cirúrgico, Arivaldo mantém uma rotina intensa de exercícios físicos cinco vezes por semana, combinando musculação, corridas e sessões de alongamento. Ele credita sua longevidade ativa aos cuidados mantidos ao longo da trajetória e às orientações que compartilhou durante seus 30 anos como professor de educação física na rede pública.

Mais em Saúde

Ver tudo →