Com o propósito de incentivar a mobilidade ativa e reduzir a dependência de veículos automotores, o Distrito Federal realiza uma série de atividades voltadas ao debate sobre o trânsito urbano. A programação faz alusão ao Dia Mundial Sem Carro, data celebrada internacionalmente em 22 de setembro para conscientizar a população sobre a importância de meios alternativos, como a bicicleta, o transporte público e a caminhada.
Estratégias para o transporte sustentável
Organizações da sociedade civil têm liderado debates sobre a necessidade de transformar a dinâmica das grandes cidades. De acordo com especialistas, o avanço do transporte não motorizado exige tanto a ampliação de vias adequadas quanto a imposição de medidas que tornem o uso de automóveis menos atraktivol
“Não basta somente estimular o uso da bicicleta. Tem que desestimular o uso do carro, se não as pessoas não migram. Só o fato de ser dada prioridade à fluidez do trânsito para o transporte público e para a bicicleta já desestimula o uso do carro”, afirmou Raphael Dorneles, representante da ONG Rodas da Paz.
Desafios de quem vive da entrega por aplicativo
Enquanto o debate político e estrutural avança, trabalhadores que utilizam as duas rodas como ferramenta de sustento enfrentam dificuldades cotidianas. A falta de recursos financeiros muitas vezes impede a aquisição de equipamentos básicos de proteção e sinalização.
“Eu tenho que pagar, senão, não tenho. Ainda estou sem espelho e cotoveleira”, relatou o entregador Ítalo Santos Vieira, que relata jornadas exaustivas e a ausência de infraestrutura cicloviária conectada.
Além dos riscos de acidentes devido ao tráfego compartilhado com carros e ônibus, profissionais da área também apontam a vulnerabilidade contra furtos. “Há muitos roubos nesta área. A gente sempre tem que estar atento”, destacou o entregador Ivan Gabriel.
Eventos e propostas para o futuro urbano
A programação da semana incluiu eventos como a tradicional Bicicletada e o Desafio Intermodal de Brasília, que mede a eficiência e o impacto ambiental de diferentes formas de deslocamento urbano. As ações buscam pressionar o poder público por melhorias concretas.
Entre as pautas defendidas por coletivos urbanos está a criação de instâncias de participação popular na gestão do tráfego. “Queremos ter um espaço estrutural deliberativo dentro da estrutura do GDF [Governo do Distrito Federal]. Brigamos pela participação popular, pelo controle social, pela governança e transparência de todo o processo da mobilidade urbana”, explicou Raphael Dorneles.
Por fim, o Ministério das Cidades informou que conta com o programa Avançar Cidades – Mobilidade Urbana para destinar recursos a projetos voltados ao transporte coletivo e ativo, contemplando a construção de calçadas, ciclovias e melhorias na sinalização viária em todo o país.








