O paulistano Luciano Rondi Neto, amplamente conhecido no meio esportivo como Deco, construiu uma trajetória impressionante antes de migrar para o mercado financeiro. Pentacampeão brasileiro profissional de wakeboard e representante do Brasil nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em 2015, ele hoje ajuda a administrar patrimônio e integra uma consultoria que já soma cerca de R$ 600 milhões sob custódia, aplicando no ambiente corporativo a mesma disciplina aprendida sobre as águas.
O início no wakeboard e o sucesso precoce
A relação de Rondi com o esporte começou por volta dos 12 anos em uma represa situada em Avaré, interior de São Paulo. Após insistir com o pai, ele ganhou sua primeira prancha e iniciou os treinamentos de forma improvisada. O destaque veio logo na estreia competitiva, garantindo um barco adequado após a vitória no Campeonato Brasileiro infantil. Aos 15 anos, em 2005, ele já competia na categoria profissional.
“Eu já fui para a categoria profissional, e foi o primeiro ano que fui campeão brasileiro profissional”, conta. Ao longo dos anos, Deco acumulou cinco títulos brasileiros profissionais, além de cinco conquistas paulistas e um título sul-americano. O desejo de evolução o levou a morar dois anos nos Estados Unidos e a competir nos Jogos Pan-Americanos de Toronto em 2015, onde finalizou a participação na sexta colocação.
Transição de carreira e a chegada aos negócios
O alto rendimento físico cobrou seu preço com quatro cirurgias nos ombros, no joelho e na tíbia esquerda. Com o passar do tempo e o surgimento de novos talentos, ele optou por mudar de direção, mudando-se para Belo Horizonte para gerenciar uma escola de wakeboard e o comércio de barcos, período em que teve o primeiro contato com a gestão de recursos próprios.
“Foi a primeira vez que comecei a ter o meu próprio dinheiro”, conta. De volta a São Paulo durante a pandemia, ele intensificou os estudos e obteve certificações. “Comecei a estudar, fazer curso, entender como é que eu ia colocar o meu dinheiro para render”, lembra Deco. “Fui me interessando cada vez mais por aquilo.”
Fundação da Belmont Capital
Sua entrada no setor começou em um escritório que migrou da XP para o Safra, onde atuou como assessor e conheceu seus futuros sócios. Inconformados com mudanças na cultura da empresa, o grupo migrou para a Nord e, no início de 2024, fundou a Belmont Capital sob o modelo de consultoria de investimentos. Atualmente, a empresa conta com 17 profissionais e cerca de R$ 600 milhões sob custódia, oferecendo planejamento financeiro, sucessório e alocação de ativos.
Para Rondi, a vivência esportiva foi determinante para o sucesso nos negócios. “O esporte ensina muito essa parte da rotina”, afirma. A preparação rigorosa exigida fora d’água encontra paralelo na constância necessária para atender clientes no mercado financeiro.
Networking através do esporte e planos futuros
Aos 37 anos, Deco reduziu o ritmo no wakeboard e hoje pratica tênis e kitesurf, modalidades que considera menos agressivas. Esses esportes continuam abrindo portas e gerando conexões orgânicas que se convertem em parcerias comerciais. “Tenho muito cliente que eu trago desses esportes”, explica Rondi. “Obviamente, você não faz o esporte com essa intenção, mas acaba acontecendo. Você está lá todo dia, você conhece pessoas.”
Com captações mensais expressivas, a Belmont Capital já mira metas ambiciosas para o futuro próximo. “A próxima meta agora, com certeza, é o tão sonhado bi”, afirma Deco. “Queremos crescer de uma forma um pouco mais orgânica, com o pé no chão.”








