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Mata atlântica perdeu 10 milhões de hectares em quatro décadas

Levantamento aponta que a agropecuária avançou sobre o bioma, enquanto a vegetação secundária passou a ser o principal alvo de desmatamento.

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Agricultura ganha 11 milhões de hectares em 41 anos na Mata Atlântica

O bioma da Mata Atlântica registrou uma retração de quase 10 milhões de hectares em sua cobertura vegetal madura ao longo de um período de 41 anos, enquanto a atividade agrícola expandiu sua presença em 11 milhões de hectares na mesma faixa de tempo. Os dados foram divulgados pelo MapBiomas, revelando que a supressão de vegetação nativa tem apresentado uma tendência de desaceleração ao longo das décadas, embora o desmatamento recente venha incidindo de forma expressiva sobre áreas em processo de recuperação.

Avanço da agricultura e substituição de pastagens

A expansão agrícola no bioma ocorreu predominantemente sobre antigas zonas de pasthagem, que encolheram cerca de 11 milhões de hectares no intervalo analisado. Culturas como a soja e a cana-de-açúcar multiplicaram suas extensões territoriais, consolidando a Mata Atlântica como uma região de forte concentração dessas produções no cenário nacional, além de abrigar grandes fatias das plantações de café e citrus do país.

Dinâmica da vegetação secundária e preservação

Apesar das perdas históricas, o levantamento indica que um quarto da cobertura nativa atual corresponde a matas que voltaram a crescer após episódios de desmatamento ocorridos desde 1985. Contudo, nos últimos cinco anos, 60% da supressão registrada atingiu justamente essas áreas secundárias, apontando um novo foco para o desmatamento.

Natália Crusco, coordenadora técnica da Mata Atlântica na rede de monitoramento, enfatizou a importância dessas áreas em recuperação.

“A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”

A especialista também ressaltou a necessidade de proteção rigorosa para evitar novas perdas no bioma.

“A regeneração tem papel fundamental na recuperação da Mata Atlântica, seja por meio da restauração ou da recuperação natural de áreas degradadas”

Crescimento urbano e concentração demográfica

Além da pressão agrícola, a urbanização na região experimentou um salto expressivo, multiplicando-se por 2,5 e atingindo 2,3 milhões de hectares. Grande parte das cidades no bioma mantém extensões urbanas modestas, mas os grandes centros continuam a ditar o ritmo da expansão territorial.

“Quanto à extensão das áreas urbanizadas, mais de 80% dos municípios da Mata Atlântica apresentavam menos de mil hectares urbanizados em 2025. Apenas São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba ultrapassavam 30 mil hectares”

O monitoramento conclui que, enquanto estados como São Paulo e Rio de Janeiro conseguiram conter a redução de sua vegetação nativa ao longo das quatro décadas, a pressão combinada entre o agronegócio, a silvicultura e o crescimento das cidades continua a desafiar a conservação de um dos biomas mais fragmentados do país.

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