O Palácio do Planalto tratou como “segredo de Estado” os preparativos finais para o reajuste de 15% no Bolsa Família, divulgado nesta quinta-feira. A mudança eleva o piso do programa social de R$ 600 para R$ 691, enquanto o benefício médio passa de R$ 675 para R$ 777. O tema foi debatido por um grupo restrito do primeiro escalão até momentos antes da revelação pública, refletindo o momento delicado enfrentado pela campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Bastidores e brecha no orçamento
Durante meses, o chefe do Executivo cobrou alternativas de sua equipe para turbinar o principal programa de transferência de renda de suas gestões. No entanto, o plano esbarrava na rigidez fiscal e no calendário eleitoral. A viabilização ocorreu após projeções indicarem saldo positivo na previsão para zerar a fila da previdência, permitindo o remanejamento de R$ 5,8 bilhões para custear a expansão a partir de outubro.
Antes de oficializar o decreto, o governo consultou a Advocacia-Geral da União (AGU) para evitar contestações na Justiça Eleitoral, fundamentando o aumento na recomposição inflacionária. Parlamentares da cúpula do Congresso também foram avisados antecipadamente como gesto de cortesia política.
— A ordem era segredo de Estado, não tinha segurança exata do momento do anúncio — afirma o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
Além de Dias, participaram das tratativas sigilosas os ministros Bruno Moretti (Planejamento), Miriam Belchior (Casa Civil) e Dario Durigan (Fazenda).
Impacto nas pesquisas e reação da oposição
O reajuste acontece a apenas 17 dias do primeiro turno. Levantamentos recentes da Quaest apontam desgaste de Lula entre eleitores de menor renda, público no qual o candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou crescimento nas intenções de voto. O cenário gerou forte reação entre os adversários políticos.
“Ele sabe que isso não pode, mas é o desespero, porque ele sabe que já perdeu”, destacou o também candidato à Presidência.
Por outro lado, governistas negam o caráter eleitoreiro da medida e argumentam que a ação apenas repõe perdas inflacionárias para a parcela mais vulnerável da população.
— Não (é eleitoreira). Mesmo sabendo que há os que são contra despesas para o Bolsa Família, há também por parte da ampla maioria da população a compreensão que dar a inflação para a renda de quem mais precisa é justo — diz o ministro.








