Foram 50 doações a cada milhão de habitantes. (Foto: Venilton Küchler/ANP)

O Paraná é o estado que mais registrou doações de órgãos no primeiro semestre de 2018 – foram 50 doações a cada milhão de habitantes. A média nacional é de 17 doações. No período, houve 602 notificações de potenciais doadores e 284 doações efetivas. O resultado foi descrito como “espetacular” pela publicação oficial da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), divulgada nesta semana.

Para o secretário de Estado da Saúde, Antônio Carlos Nardi, os números refletem a boa organização do Sistema Estadual de Transplantes, que nos últimos anos teve sua estrutura e logística melhoradas. Os investimentos nas capacitações dos profissionais de saúde envolvidos no processo de identificação de doadores, entrevista das famílias e a captação de órgãos é outro fator que tem tido impacto positivo.

“Nossas capacitações abordam não apenas aspectos técnicos, como protocolos e diretrizes sobre a doação de órgãos, mas também o preparo das equipes para atender de forma sensível e acolhedora as famílias de possíveis doadores”, diz Nardi.

Além da liderança no número de doações, o Paraná segue em primeiro lugar em identificação e diagnóstico de morte encefálica, com taxa de 106 notificações por milhão de população. O Estado ainda é líder em transplante renal, com 60 doações a cada um milhão de habitantes. De janeiro a junho, 343 transplantes do órgão foram concretizadas no Estado.

ENTREVISTA FAMILIAR – No Brasil, as doações de órgãos ocorrem após o diagnóstico de morte encefálica e precisam ser autorizadas pela família do doador, mesmo que o paciente tenha registrado em vida a vontade de ser doador. Todas as famílias dos doadores em potencial passam por uma conversa com as equipes de saúde que buscam esclarecer as dúvidas dos familiares e orientar sobre a possibilidade da doação de órgãos.

No levantamento da ABTO, o Paraná apresenta o menor índice de recusas de famílias. Apenas 25% das famílias entrevistas pelas equipes paranaenses decidiram não fazer a doação. No país, a média de recusa após entrevista é de 43%.

“Isso é reflexo direto da capacitação dos profissionais, que aliada à solidariedade das famílias paranaenses, tem feito o Paraná se destacar na doação de órgão no país”, ressalta o secretário da saúde.

LOGÍSTICA – Outro fator que tem impactado nos bons resultados do Paraná na doação de órgãos é a estrutura logística. Atualmente, o Sistema Estadual de Transplantes conta não apenas com veículos para transporte terrestre, mas também aeronaves à disposição que garantem agilidade no transporte de órgãos e equipes.

Como frisa a coordenadora do Sistema Estadual de Transplantes, Arlene Badoch, a possibilidade de deslocamentos rápidos é fundamental para viabilizar os transplantes. “Todo o processo necessita de agilidade e qualquer obstáculo pode fazer com que o transplante não se concretize. Por isso poder contar com uma logística eficiente é fundamental”, explica Arlene.

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