Andrielly e Diogo, em foto postada no facebook tempos atrás

Banda B
A defesa do soldado da Polícia Militar (PM) Diogo Coelho Costa, principal suspeito de matar a universitária Andrielly Gonçalves da Silva, de 22 anos, afirmou que ele chorou e passou mal ao descobrir que ela estava morta. De acordo com o advogado Luiz Goldman, o ex-marido da jovem teve sérios problemas de saúde e precisou ser medicado após saber pela imprensa que o corpo encontrado na Estrada da Graciosa era mesmo da estudante.

Segundo o advogado, a descoberta de que Andrielly está morta não vai mudar em nenhum aspecto a tese da defesa. “Nós mantemos a expectativa de que as provas contra o Diogo são meramente circunstanciais, não são provas efetivas de que ele tenha feito qualquer coisa contra ela. O meu cliente mantém essa posição com firmeza, inclusive nós protocolamos junto ao inquérito pedidos de investigação direcionando o caso para outras perspectivas”, disse Goldman em entrevista à Banda B nesta terça-feira (12).

A defesa diz que o ex-marido de Andrielly insiste que é inocente e que jamais faria algo contra ela. “[No dia do desaparecimento, em 9 de maio] Ele foi até o apartamento, que também era dele, e saiu de lá uniformizado, sabendo que tudo estava sendo gravado. Diante disso, óbvio que ele seria o primeiro a ser acusado se algo acontecesse com ela, como infelizmente ocorreu. O meu cliente afirma que nunca faria nada desse tipo, que não é da índole dele e que é muito primário acharem que ele é o assassino”, completou o advogado.

Goldman acredita que a emoção popular envolvida no caso é um dos principais responsáveis por “lançar Diogo às feras”. “O comportamento das pessoas é emocional. Eu tenho acompanhado o que a mãe da Andrielly tem dito nas entrevistas e me compadeço dos sentimentos dela, mas não podemos esquecer do outro lado. De uma mãe que tem um filho preso por um crime que não cometeu, uma pessoa dedicada a ser um policial, a proteger e salvar vidas”.

Prorrogação da prisão
Nesta segunda (11), diante da identificação oficial do corpo, a Polícia Civil informou que vai pedir a prorrogação, por mais um mês, da prisão temporária do soldado. Para a defesa do rapaz, a medida é desnecessária.

“Um dos fundamentos da prisão era que Diogo poderia atrapalhar as investigações, o que não é possível, já que o corpo foi descoberto e a perícia está sendo feita normalmente. O meu cliente tem endereço e trabalho fixos, não possui antecedente criminal e não vai deixar de comparecer aos autos do processo. Por isso, não há motivo para mantê-lo detido”, declarou Goldman.

Versão do policial
Andrielly desapareceu na madrugada do dia 9 de maio em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Imagens de câmeras de segurança mostram ela saindo do apartamento onde morava, por volta das 3h, junto com o ex-marido. De acordo com a versão do soldado, os dois haviam conversado sobre o fim do relacionamento e ele comentou que ela deveria sair de casa, porque ele pagava pelo imóvel. Após a conversa, os dois entraram no carro e a jovem pediu para que ele a deixasse “em algum lugar” porque outra pessoa ia buscá-la.

“Durante todo esse tempo, dá para ver pelas imagens, ela estava com o celular falando com alguém. Em um determinado momento, Andrielly insistiu para que Diogo estacionasse, senão ela pularia do veículo. O local onde ela pediu para ficar é perigoso… Tanto é que ele se arrependeu e voltou lá depois de 15 minutos, mas ela já havia sumido”.

Sangue no carro
A defesa do ex-marido insiste na hipótese de que a mancha de sangue encontrada no carro dele era menstruação da universitária, porque ela sofria de endometriose e teria um fluxo muito intenso.

“O Diogo me contou que, por duas ou três vezes, eles estavam passeando e ela menstruou em um momento inesperado dentro do automóvel. Me perdoe a expressão, mas ele me falou que ela ‘lavava o banheiro’… A mancha no encosto do banco também pode ter sido isso, porque, em uma dessas situações, ela passou da parte da frente para o banco de trás, talvez para colocar o absorvente ou se sentir mais protegida, e acabou se encostando. Está todo mundo falando sobre esse sangue, mas, se for menstrual como nós acreditamos que é, isso derruba o caso contra o meu cliente”, finalizou.

Diogo continua preso em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba. A Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo, investiga o caso.

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