Dê poder a um homem e descobrirá quem ele realmente é”. Esta frase, vezes atribuída a Nicolas Maquiavel, outras a Confúcio e até mesmo a Abraham Lincoln, o autor pouco importa no momento, é a síntese do OPS!, erramos. É a desculpa perfeita para o “a gente não sabia que ele era assim”, para o “nossa, como o poder subiu-lhe a cabeça”, e também para o “eu te disse”.

Porém, uma coisa é verdade: não podemos prever o futuro da uma pessoa, apenas torcer para que seja bom. Já o futuro do coletivo, de uma comunidade, de uma cidade, podemos, se não prever, planejar, projetar, vislumbrar e claro, sonhar.

Mas, vamos lá! Ninguém é obrigado a saber fazer tudo, mas é obrigado, até por crime de responsabilidade, a dizer que não sabe fazer determinada coisa. Um administrador público, um agente público, eleito, nomeado ou concursado tem responsabilidades assumidas para com a sua comunidade, que nele deposita a confiança de um trabalho digno, confiável e voltado sempre para o bem-estar dessa coletividade. Por isso mesmo, um médico, quando eleito para ser prefeito, dele não se espera o clinicar, mas o gerenciamento de toda a cidade.

O que dizer então de um funcionário público eleito para dirigir uma cidade? Se dele, como funcionário público, já se esperava retidão no trato da coisa pública, como prefeito, gera-se a expectativa de alguém que sabedor dos nós administrativos enfrentados na gestão pública, solucione-os tão prontamente ascenda o poder. Pois é! É aí que quebramos a cara. Porque de repente o “Sassá Mutema” de plantão, aquele que era a esperança de todos, vira a realidade dos mesmos, de um grupo seleto, dos seus “chegados”.

Ouvindo cada vez menos a voz das ruas, que agora chama de barulho, o “Sassá Mutema” de plantão, desvirtua-se, deslumbra-se com o poder. Acha que pode tudo. Passa acreditar somente na sua própria voz, nos elogios dos puxa-sacos, naquilo que dizem os parentes apaniguados que mesmo sem competência alguma, nem mesmo o tal notório saber, estão espalhados, pendurados, decorando secretarias e autarquias, nomeados em comissão para que sirvam de claque da patuleia. E dane-se o tal do nepotismo. Aproveita e tira uma selfie pra postar no Facebook.

O problema maior disso é que o “Sassá Mutema” de plantão perde o referencial, derrapa na curva do egocentrismo e acaba cometendo barbeiragens administrativas, mas, tem certeza de que os culpados são outros, aliás, são os mesmos: a tal da imprensa. A culpa sempre é e será da imprensa, que quer saber, precisa sim de um corretivo, precisa ser enquadrada, precisa saber que quem manda nisso tudo é o “Sassá Mutema” de plantão. E aí de quem não entender isso. Eu prendo e arrebento, já dizia um general-presidente dos tempos da ditadura.

E por falar em ditadura, tempos de sombras, culpas distribuídas à imprensa, eis que mais uma vez, de repente, num outro rompante, o “Sassá Mutema” de plantão inspira-se e irritado com os dissonantes, passa a perseguir jornalistas, usar suas forças e aparelhos de repressão para tentar intimidar e calar de vez aqueles que dele discordam. Ridiculariza, esculacha, busca desqualificar, destruir biografias, atacar a honra, tocar o terror, nem que para isso tenha que usar a infraestrutura do poder, que jurou colocar à disposição da sua comunidade, como se particular fosse, tratando a coisa pública como um negócio pertencente e conduzido pela sua família. Ele transformou o que era público em privado.

P.S.: Aproveita e tira mais uma selfie pra postar no Facebook. Dessa vez com a família toda.


César Teixeira é publicitário por profissão, marqueteiro por precisão e poeta por confusão, não necessariamente nesta ordem, além de defensor perpétuo do teu direito de reclamar, mesmo que não concorde com uma vírgula do que você está dizendo.

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